Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

domingo, 25 de setembro de 2016

Vila do Conde e a Igreja da Misericórdia, mas não só

* Victor Nogueira

"misericórdia",  como benevolência, perdão e bondade  é uma das virtudes de três grandes religiões monoteístas: a Judaica, a Cristã e  Islamista ou Maometana.  A "misericórdia" concretiza-se em actos, na doação de esmolas, no cuidar dos doentes e noutras obras. No Cristianismo essas obras são referidas como Bem-aventuranças, no Evangelho segundo Mateus 5:1- 48. Enquanto que para os Cristão Cristo é o filho de Deus feito homem, para os Judeus e Maometanos Cristo é apenas um Profeta.

Na Idade Média cristã constituíram-se Confrarias ou Irmandades com a finalidade de prestarem assistência aos peregrinos, aos pobres, as  viúvas e órfãos, aos doentes, aos desvalidos e aos cativos, beneficiando de donativos particulares, com instalações próprias em muitas cidades e vilas de Portugal, por mais pequenas e modestas que fossem.

Como Santa Casa da Misericórdia surgem primeiro em Lisboa (Irmandade de Invocação a Nossa Senhora da Misericórdia), por acção da rainha D. Leonor (1498), viúva de D. João II, como modelo que depois se propagou pelo território português ou sob seu domínio, aquém e além mar, Conjuntamente com as Confrarias de artesãos e mesteirais e mais tarde as Associações Operárias de Socorros Mútuos, as Misericórdias tinham uma enorme importância em tempos nos quais não havia uma rede estatal laica, universal e pública de Segurança Social, Hospitalar e de Cuidados de Saúde, Note-se: enquanto as Mutualidades Operárias, são laicas e surgem no século XIX, na sequência das revoluções burguesas e do triunfo do capitalismo sobre o feudalismo, as Confrarias e as Irmandades Cristãs, surgidas na Idade Média, são essencialmente religiosas e têm muitas vezes entre as suas finalidades o sufragar a alma dos mortos, sejam os confrades, sejam os "piedosos" e temerosos/tementes crentes que lhes  façam ou deixem donativos monetários e bens imobiliários,, sobretudo por disposições testamentarias.

A Misericórdia de Vila do Conde foi fundada em 1510, prestando ainda hoje serviços nas áreas da saúde e assistência social. A título de curiosidade refira-se que tem dois salões de chá abertos ao público, onde se vende doçaria de acordo com as receitas culinárias do Convento de Santa Clara de Vila do Conde, omnipresentes na cidade. Excessivamente doces são as  especialidades, mas logo ali ao lado pode encontrar assistência médica e hospitalar.

A Igreja da Misericórdia e o edifício anexo remontam ao sec. XVI, com intervenções nos dois subsequentes. A edificação implicou a demolição da Capela de S. Miguel. O Cruzeiro, barroco, é de 1713. O  conjunto encontra-se cerca da Praça Nova, actual Praça Vasco da Gama. O Centro Interpretativo de Memórias ou "Museu" da Santa Casa, inaugurado em 2015, foi instalado em vivenda profundamente remodelada, de que se conservaram as paredes exteriores. 

Embora pertencendo ás Irmãs Doroteias, esta publicação inclui fotos do Instituto de S. José, que funciona num palácio brasonado, sobre o qual não encontrei informação,  Desconheço também se o edifício do actual Centro Hospitalar da Póvoa de Varzim-Vila do Conde, integrado no SNS, terá pertencido anteriormente à Misericórdia,

Igreja da Misericórdia e Cruzeiro










(Largo Dr. António José de Almeida, antigo Largo da Misericórdia)




Centro Hospitalar de Vila do Conde - SNS





(Rua Dr. Artur da Cunha Araújo)


Centro Interpretativo de Memórias ou museu" 
da Santa Casa da Misericórdia









(edifício na esquina da Rua Dr, Artur da Cunha Araújo com  a Rua Dr. António de Andrade)


Instituto S. José, 
das Irmãs Doroteias

















(edifício na esquina da Rua Dr. António José de Sousa Pereira com a Rua Comendador António Fernandes Costa)


"alminhas" e estações da Via Sacra
nos arredores da Misericórdia




(na esquina da Rua Comendador António Fernandes da Costa com a Rua D. Mendo)


(Largo da Misericórdia)


(na esquina da Rua Comendador António Fernandes da Costa com a Rua da Costeira)



edifícios nas cercanias da Misericórdia
ou Sic transit gloria mundi


(Rua da Misericórdia)
  


(Igreja de S. João Baptista) 




(pelourinho e Casa da Câmara)


(Igreja de S. João Baptista  e Capela da Agonia de Cristo)



(Palacete do Costa, em ruínas, na Rua da Costa, que suponho ter pertencido  á família Carneiro Pizarro e seria anteriormente do Comendador António Fernandes da Costa. Na 1ª foto, o mirante)


(Chalet construído por José da Silva Meira, em 1891
 na Rua Dr. António José de Sousa)


(palacete do Conde de Azevedo, actual Centro Paroquial, na Rua da Misericórdia)


(edifício na Rua da Misericórdia)






(vivendas, uma delas em ruínas, na Rua Dr. António de Andrade)


sábado, 24 de setembro de 2016

variações temporais e registos

* Victor Nogueira

De repente apercebo-me que o tempo arrefeceu e ouço o barulho da chuva a cair. Assomo à janela e são mesmo grossas as bátegas obliquadas por ligeira mas gélida brisa. Afinal a chuva não esperou pelo domingo para sair das nuvens, neste sábado que amanheceu cinzento mas se tornou soalheiro pela tarde fora. Aqui fica a photo-reportagem.










fotos em 2016.09.24